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23 de janeiro de 2019 às 23h05

Fala Trabalhadora! Entrevistamos a empregada Daiane de Oliveira Cardozo

Vamos inaugurar nesta quinta-feira um novo espaço no site do sindicato: o Fala Trabalhador! Nele faremos, semanalmente, uma entrevista com trabalhadores e trabalhadoras para que nos contem um pouco de suas histórias dentro da empresa e dar oportunidade aos associados de conhecerem mais de cada vida que compõem esta entidade, que completa 56 anos esse ano.

Esta semana, vamos começar com a DAIANE DE OLIVEIRA CARDOZO que, em Junho próximo, fará 11 anos de Cesan e, atualmente, desempenha a função de OPERADOR DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO B na Estação de Tratamento de Santa Maria, na Rodovia do Contorno.

 

Sindaema: Quando você foi convocada para trabalhar na Cesan, em qual localidade você foi lotada?

Daiane: Quando eu entrei, entrei grávida, no final de dezembro e era para ganhar em janeiro. Com isso, não cheguei a assumir em Várzea Alegre que era o local para onde eu tinha sido convocada, pois saí de licença maternidade. Quando terminou a licença e foi a hora de assumir a função, já tinham saído algumas pessoas e surgiu outra vaga na Estação de Timbuí.

 

Sindaema: Você morava onde nessa época?

Daiane: Em Cariacica

 

Sindaema: E o que te fez assumir essa vaga estando grávida?

Daiane: Justamente a minha filha. Nessa época cursava faculdade de Química na Ufes, não tinha a intenção de trabalhar naquele momento, só após terminar a faculdade. Mas fiquei grávida ainda muito nova, aos 22 anos. Foi então que apareceu o concurso da Cesan. Como já tinha formação Técnica em Química decidi fazer, pois era uma boa oportunidade de emprego e ainda haviam os benefícios para mim e para minha filha.

 

Sindaema: Quais foram os desafios que você enfrentou no início?

Daiane: Distância, mato, o morro (risos). A própria escala de trabalho era um desafio. Pois eu nunca tinha trabalhado por escala. Era meu primeiro emprego mesmo, apesar de já ter estagiado. E era uma profissão totalmente nova. Todo operador quando entra, sem experiência na área, não possui o conhecimento específico, é uma função que praticamente não existe no mercado capixaba, então temos que aprender tudo aqui dentro da empresa mesmo. E a própria localização, por ser ali na divisa de Serra/Fundão, é um local meio afastado, bem crítico e eu ainda fazia o trajeto de ida e volta de ônibus.

 

Sindaema: E você pensou em desistir?

Daiane: Pensei. Pensei tanto que falei para o meu gestor da época. Foi quando apareceu a oportunidade de transferência para Santa Leopoldina. Fiz meu pedido de transferência e consegui. Acredito que se não tivesse conseguido essa transferência, teria me desligado da empresa devido ao local de trabalho ermo e as escalas que me mantinham mais na estrada do que em casa.

 

Sindaema: Como foi o seu período em Santa Lepoldina?

Daiane: Melhoraram bastante as minhas condições de trabalho. Lá, a ETA fica no centro da cidade e operava 24 horas, a escala adotada era de  4 por 4. A cidade fica a 40 km de Cariacica e é bem mais tranquila em relação à violência. Com os adicionais devido ao novo horário de escala, passei a me locomover para o trabalho de carro já que não há fornecimento de passagem para lá. Mesmo com o gasto com a locomoção, minha remuneração subiu devido ao turno. Resumindo, estava num local bem mais seguro e com uma escala que me permitia descansar e aproveitar melhor minha filha e recebendo melhor.

 

Sindaema: E quando foi que você veio trabalhar na Grande Vitória?

Daiane: Foi quando as coisas ficaram piores pra mim. Em 2016, a ETA foi ampliada e com isso passaram a escala para 12 horas e reduzindo dois operadores. Com a mudança da forma de trabalho, reduziu meu salário, passando a ficar inviável o custo de deslocamento já que havia me mudado para Vila Velha em 2011, o que dobrava a distância. Como o custo ficou muito elevado procurei meu gestor para pedir alguma sugestão e diminuir meu problema. Ele me informou que havia a possibilidade de cobrir outros sistemas durante as férias dos operadores, que gerava diárias de viagem e cobriria, ao menos, meu deslocamento. Então passei a ser tipo uma operadora volante. Foi possível reequilibrar as contas e fui levando até quando surgiu a vaga na ETA de Santa Maria e fiz a promoção interna para a vaga.

 

Sindaema: Nesses 10 anos de empresa, como foi a sua relação com seus colegas de trabalho? E a percepção deles quanto ao fato de você ser uma mulher que estava na operação em um período que havia muito poucas mulheres nessa área?

Daiane: Lembro-me bem da percepção deles. Fui bem recebida por todos e nunca tive problemas com o fato de ser mulher. Mas, no início, era perceptível a dúvida de alguns de como seriam executadas determinadas tarefas, já que a função era predominantemente masculina. Mas foi superada, aos poucos.

 

Sindaema: E quanto ao Sindicato? O que você espera?

Daiane: Atuação e presença. Como eu vim do interior e lá tudo é mais distante, nós nos sentíamos um tanto abandonados. Com este grupo, com pessoas do interior e pessoas da área operacional acho que será possível atender melhor a categoria e diminuir essa sensação, já que se trata de representantes que conhecem de perto essa realidade.

 

Sindaema: E você como sindicalizada, qual a importância de ser filiada?

Daiane: Tem muita gente se pergunta o porquê de "pagar sindicato", que reclama do sindicato, mas acaba não o procurando para levar o seu problema. E o sindicato tem o papel de nos ajudar a resolver problemas no trabalho, não só de forma individual, mas principalmente, de forma coletiva.

 

Sindaema: E você já precisou do Sindicato? E foi atendida?

Daiane: Sim, fui atendida. Não foi o que eu queria como resposta da empresa, mas o sindicato me auxiliou. Procurei o entidade quando participei de uma  etapa do processo de promoção interna e, por conta de um episodio na 3ª ponte, acabei não chegando a tempo para a realização da etapa, sendo assim eliminada. O Sindicato me ajudou fazendo o recurso, mas este não foi aceito pela empresa.

 

Sindaema: O que você acha que te falta para ter mais motivação na empresa?

Daiane: Primeiro é perspectiva de mais opções. Na carreira de operador ainda se fica muito preso. E, segundo,  a possibilidade de ter a disposição melhores ferramentas para o trabalho e que fosse possível ver a modernização.

 

Sindaema: E qual a mensagem que você quer mandar para seus colegas da O-DTN?

Daiane: Agradeço a receptividade de todos da área principalmente dos colegas de escala, e espero estar colaborando com a equipe e com bom trabalho da nossa divisão.

 

Sindaema: Nós agradecemos sua participação! Otímo dia de serviço!

 

Se você tem uma sugestão de entrevistado, nos mande! 

Teremos a maior satisfação de poder fazer este sindicato mais próximo dos trabalhadores!

Juntos iremos longe!

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O SINDAEMA


O Sindicato dos Trabalhadores em Àgua, Esgoto e Meio Ambiente do Espírito Santo completou 50 anos de história em 2013. Possui cerca de 2 mil associados – são trabalhadores da Cesan e dos Saaes, Serviços Municipais de Água e Esgoto. Sua sede está localizada no Bairro do Moscoso, em Vitória.