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INSTITUCIONAL

A história do movimento sindical dos trabalhadores do saneamento teve início em 06 de janeiro de 1962, quando um grupo de trabalhadores do Departamento de Água e Esgoto do Espírito Santo decidiu criar a Associação dos Trabalhadores em Água e Esgoto do Estado do Espírito Santo. Em 15 de junho de 1963, eles conquistaram a carta sindical nº 115669/63 e a Associação se transformou em Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação de Água do Estado do Espírito Santo (STIPDASEEES).

Em 1993, com a reforma estatutária da entidade, o grupo de filiados foi ampliado e os trabalhadores da área de meio ambiente passaram a participar do sindicato, que recebe um novo nome: Sindaema – Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo.

O Sindaema esteve presente em momentos decisivos, contribuindo para reverter, inclusive, o curso dos acontecimentos, como no episódio que impediu a privatização do serviço de água no Estado. Liderou a primeira greve do setor e tantas outras lutas e bandeiras que fizeram desses 56 anos marcantes para a entidade e para a história do Espírito Santo.

O Sindaema ocupa lugar de destaque no movimento sindical capixaba não só por sua atuação em defesa das questões corporativas da classe, mas pelo seu desprendimento em lutar junto aos movimentos sociais pela defesa dos nossos rios e pela preservação do meio ambiente – tornou-se membro do Movimento de Cidadania pelas Águas.

Com outras entidades e organizações não governamentais, participou da criação dos Centros de Referência do Movimento em algumas cidades capixabas. Em cinco décadas de discussões, houve avanços e mudanças de paradigmas na questão ambiental e, principalmente, nas relações de trabalho.

Nossa trajetória:

1963 a 1973 – A primeira década do sindicato foi marcada por fatos que tinham maior relevância simbólica do que política ou sindical. Nessa fase, um personagem, em especial, tem destaque: o Seu Silvio, pioneiro antes mesmo de o sindicato ser oficializado e ainda ser chamado de associação.

1973 a 1983 – Durante a fase mais repressora da ditadura militar, o sindicato teve sua atuação limitada pela censura. Essa década é um período de atuação restrita e páginas em branco.

1983 a 1993 – A partir dos anos 80, o panorama do movimento sindical começa a mudar com o processo de redemocratização do País. O Sindaema participou ativamente dessa luta e uma das principais ações foi o rompimento do sindicato com a estrutura paternalista que a concessionária de água Cesan mantinha com a entidade.

Com isso, em 1988, por exemplo, por meio do Sindaema, os trabalhadores conseguiram vários benefícios, entre eles o adicional por periculosidade, direito ao horário de almoço e tíquete-refeição. Sem a subvenção da Cesan e com total liberdade, agora era possível negociar com maior autonomia. Os dirigentes começaram então um intenso movimento para adesão dos trabalhadores ao sindicato, visitando também o interior do Estado. O sindicato havia deixado de ser de estrutura para se tornar um sindicato de base. As decisões começaram a ser tomadas, depois de os trabalhadores serem consultados: estava implantada uma visão classista. Assim, o sindicato também começou a ganhar a credibilidade dos trabalhadores.

Greve histórica: em 1987, o Sindaema esteve à frente da primeira greve dos trabalhadores da Cesan. Foi um movimento casado ao dos trabalhadores do setor elétrico. O lema era “De dia, falta água. De noite, falta luz”. Era a administração do então governador Max Mauro. Do movimento, as conquistas mais marcantes foram o reajuste salarial e a gratificação por férias; maiores conquistas para os trabalhadores desde a fundação do sindicato.

Antes do fim da primeira década, em 1992, tiveram início os seminários de capacitação para os trabalhadores da Cesan. O primeiro teve como tema: “Lata d´água na cabeça”. Eles passaram a ser anuais até 1995. Nesse mesmo ano, ocorreram as discussões para reformulação do Estatuto, incluindo as empresas de água e esgoto do interior do Estado ao sindicato.

Em 1993, o Sindaema filiou-se à CUT e sempre se mantém alinhado com as lutas corporativas da classe trabalhadora e com os enfrentamentos contra qualquer ameaça ou retirada de direitos dos trabalhadores.

No ano seguinte, em 1994, o sindicato foi uma das entidades que questionaram o milionário projeto que prometia despoluir os mananciais do Estado, com 100% de redes de esgoto, o Prodespol. Com R$ 300 milhões em investimentos, o programa criou redes que não tinham ligação com estações de tratamento. O sindicato denunciou o caso ao Ministério Público e o assunto se tornou tema de reportagens em mídia nacional.

No ano de 1997, o sindicato viria a participar do que pode ser considerada uma de suas maiores lutas ao longo de 50 anos: o processo que quase culminou na privatização da Cesan. O governo do Estado passava por momentos difíceis, sem dinheiro para quitar a folha de pagamento dos servidores. Para isso, contraiu um empréstimo junto ao BNDES, dando como penhora as ações da Cesan.

O Sindaema iniciou um movimento recolhendo assinaturas para um abaixo-assinado, que chegou a 31 mil assinaturas em oito meses. No Legislativo, tiveram apoio dos então deputados Max Filho e José Otávio Baiôco. O movimento fez nascer o primeiro projeto de lei de iniciativa popular e deu origem à Frente Estadual do Saneamento, responsável por audiências públicas regionais e metropolitanas com o intuito de debater o futuro do saneamento no Estado.

Na antiga sede da Assembleia Legislativa, no Centro de Vitória, foram muitos embates e surgiu a Comissão de Saneamento, presidida pelo então deputado Baiôco. Os frutos foram colhidos com o então governador Paulo Hartung, que pagou a dívida junto ao BNDES e livrou a Cesan da privatização.

2003 a 2013 – O sindicato participou ativamente de lutas que envolviam não apenas questões ligadas à água, mas toda a sociedade, como o Grito da Terra — lutas do campo e da cidade. Tornou-se, assim, um sindicato cidadão.

Em nível nacional, estamos engajados na campanha contra as Parcerias Público Privadas do Saneamento (PPPs), articulada pela Federação Nacional do Urbanitários (FNU). Localmente, o Sindaema tem dado visibilidade a este movimento em audiências públicas na Assembleia Legislativa, nas Câmaras Municipais, em seminários e por meio de notas à imprensa capixaba.

2013 até hoje – A luta contra a privatização é diária e tem ganhado força com as últimas tentativas do governo federal de entregar a gestão do sistema para a iniciativa privada. Articulações junto aos trabalhadores com campanhas em redes sociais e nas ruas têm pressionado a bancada capixaba a rever a privatização do saneamento.

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