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Suicídio: fenômeno social que atravessa o tempo

Por Camila Scarpati Dias, psicóloga e psicanalista

 

O suicídio é um fenômeno social que atravessa o tempo. Um exemplo disso é uma das histórias de amor mais conhecidas e reproduzidas do mundo, que culmina no suicídio de dois jovens: Romeu e Julieta.

Ainda que seja algo tão antigo e ao mesmo tempo presente na sociedade, o silêncio impera quando se fala sobre ele. No entanto, ainda que esse silêncio exista, os números sobre a quantidade de suicídios estão gritando. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016, o Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio – em média, um caso a cada 46 minutos. Se levarmos em conta o volume de tentativas de suicídio e pessoas com depressão, sem o devido tratamento, esse número é muito maior.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o estigma, particularmente em torno de transtornos mentais e suicídio, faz com que muitas pessoas que estão pensando em tirar suas próprias vidas ou que já tentaram suicídio não procurem ajuda profissional, e, por isso, não recebam o auxílio que necessitam.

Por esse motivo, iniciativas como o Setembro Amarelo surgem no intuito de promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância da discussão.

Seria ótimo se as pessoas tivessem como hábito falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, mas isso nem sempre acontece, certo? E por isso, corremos o risco de reproduzir falas e preconceitos que pouco ajudam quem realmente precisa. Afinal, muitos são os mitos e frases do senso comum sobre suicídio, e a maioria delas não é verídica:

“As pessoas que falam muito ou tentam e não conseguem só querem chamar atenção. Quem quer fazer, faz e ponto”.

MENTIRA: Aquela máxima de “quem quer faz e pronto” não se aplica. Uma pessoa pode tentar por várias vezes tirar a própria vida antes de conseguir. Cabe aos que estão próximos encarar a tentativa como um pedido de ajuda, e encaminhar para tratamento, ao invés de desmerecer o sofrimento do outro, e afirmar que foi “só” uma tentativa de chamar atenção.

“Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco”.

MENTIRA: Falar sobre não significa incentivar, mas sim, esclarecer. Ao trazer o adoecimento mental à tona, as pessoas passam a reconhecer que precisam de ajuda, e assim buscar alternativas para se tratar. O assunto deixa de se tornar um tabu e passa a ser visto como uma doença como outra qualquer.

Cabe a cada um exercitar um olhar mais humanizado para si mesmo, reconhecer suas limitações e buscar auxílio de uma rede multidisciplinar de profissionais como psicólogos e psiquiatras. E caso identifique em alguém próximo sintomas de depressão ou ainda tome conhecimento de tentativas de suicídio, uma escuta acolhedora seguida de um direcionamento a uma rede de apoio qualificada pode ajudar a salvar uma vida.

Contatos de rede de apoio a saúde mental:

  • Centro de Valorização da Vida (CVV) – realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, 24 horas todos os dias.
  • Telefone: 188

Nas faculdades de Psicologia há atendimento gratuito à comunidade:

  • Centro Integrado de Atenção à Saúde da Católica (Salesiano)
  • Informações: (27) 3331-8654
  • Clínica de Psicologia da Faesa
  • Informações: (27) 2122-4168
  • Clínicas da UVV
  • Informações: (27) 3421-2190, (27) 3421-2191, (27) 3421-2192
  • Núcleo de Práticas Psicológicas da Faculdade Multivix – Serra
  • Informações: (27) 3041-7070
  • Núcleo de Práticas em Psicologia da Faculdade Multivix – Vitória
  • Informações: (27) 3335-5669

 

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